
Liesel Meminger é uma menina de 11 anos normal, exceto por três detalhes:
1- Liesel vive na Alemanha nazista, o que faz com que ela e a Morte cruzem seus caminhos mais vezes que o normal;
2- Antes mesmo de aprender a ler, Liesel se apaixona por livros e, tendo poucos meios de consegui-los, começa a roubá-los;
3- Os dois detalhes acima não passam despercebidos pela Morte e a Grande Ceifadora começa a achar que a história da Menina que Roubava Livros é uma boa história para se contar.
A primeira vez que Liesel e a Morte se encontram é também a primeira vez que a menina tem um livro nas mãos, o primeiro de sua coleção e aquele que inicia sua “carreira” de roubadora de livros.
Tudo começa durante uma viagem de trem em que a mãe de Liesel levava os dois filhos para a casa da família que os adotaria. A mãe fazia isso para salvar os filhos, pois seu marido era comunista e depois que ele desapareceu, provavelmente preso e morto pelas autoridades, os olhos do perigo se voltaram para o resto da família. Além disso, sozinha e doente, a mãe mal conseguia se sustentar e já não podia cuidar dos filhos. Se não tivessem o mesmo destino do pai, a doença ou a fome os levaria. Liesel não sabia de nada disso, tinha apenas como explicação o fato de que a mãe viúva não podia sustentá-los e por isso passaria um tempo com outras pessoas.
A Morte apareceu durante a viagem, quando o irmãozinho de Liesel tossiu pela última vez, e ficou por perto até pouco antes das duas sobreviventes, mãe e filha, se virem pela última vez, a tempo de ver Liesel roubar seu primeiro livro.
“O Manual do Coveiro” caiu do bolso de um dos rapazes que enterrou o irmão de Liesel e a menina o pegou da neve sem que ninguém percebesse. Esse livro seria o elo de Liesel com seu passado, aquilo que a ligaria ao que restava de sua família: a lembrança de seu irmão e a esperança de ver sua mãe de novo. Vencer o desafio de lê-lo é também aquilo que vai ligá-la muito fortemente a um dos membros de sua nova família, seu pai adotivo.
Liesel conhece essa nova família logo após a partida de sua mãe, quando é levada até a rua Himmel, onde fica sua nova casa. É lá que ela vai conhecer seus novos pais, Hans e Rosa, seu melhor amigo, Rudy, e, mais tarde, também alguém de grande importância em sua vida, o judeu Max.
O livro tem personagens muito interessantes como o pai Hans, com quem Liesel estabelece uma conexão imediata e cujo senso de justiça colocará sua família em perigo e definirá o curso de toda a história, e também a própria Morte, que se revela uma narradora engraçada e sensível. Cada um dos personagens tem um toque interessante, mas o que é mais legal mesmo é o estilo do autor que vai te levando por essa história como em uma montanha-russa. Há momentos tão bonitos que você não quer mais que acabem e outros tão áridos que você quer fechar o livro no meio de uma frase mesmo porque chegam a te sufocar. O bom é ir do riso ao choro muitas vezes na mesma página sem saber se vai agüentar a potência emocional do que vai acontecendo.
O momento histórico em que a história se passa é muito conturbado e intenso e colabora para o efeito montanha-russa. É a oportunidade de enxergar um momento importante da história sob o ponto de vista de pessoas que podiam mesmo ter estado ali, o judeu perseguido, o alemão que não aprova o que acontece, mas não pode se levantar contra isso, aquele que aprova, as crianças que só entendem que agora passam necessidade e têm que aprender a lidar com coisas que não entendem... E também é interessante o ponto de vista da Morte, que sabe o quão fundo as coisas chegaram.
Para quem quer saber um pouco sobre o nazismo pode assistir aos filmes:
A Lista de Schindler, A Onda, O levante do gueto de Varsóvia, Escritores da Liberdade, O pianista, O leitor, A vida é bela, entre outros.E ler os livros:
O diário de Anne Frank
O menino do pijama listrado de John Boyne
E, claro, aproveite A Menina Que Roubava Livros, afinal:
“Quando a Morte conta uma história, você deve parar para ler."
O autor de "A menina que roubava livros",
Markus Zusak

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