segunda-feira, 16 de março de 2009

Pinóquio às avessas - Rubem Alves




"Felipe nada sabia sobre os planos de sonhos dos seus pais para o seu futuro. Nem sabia o que era futuro. As crianças sempre vivem no presente. O presente do Felipe era muito bom! O mundo é muito divertido. Há tanta coisa para ver, tanta coisa para aprender! Felipe era muito curioso. Curiosidade é uma coceira que dá dentro da cabeça, no lugar onde moram os pensamentos. A curiosidade aparece quando os olhos começam a fazer perguntas. Os olhos das crianças são sempre curiosos. Elas querem ver o que está escondido, querem saber o que está por detrás das coisas."


Esse era Felipe. Antes de entrar na escola.


"Pinóquio às avessas" conta a história de um menino que tem sua curiosidade destruída pela escola. A referência ao Pinóquio diz respeito à parte da história em que o boneco de madeira finalmente se torna gente com a ajuda da escola. Felipe, pelo contrário, torna-se um robozinho à medida que vai se vendo, ano após ano, forçado a se adaptar às exigências das provas, do vestibular, do mercado de trabalho, da vida adulta, das expectativas de seus pais...



O processo de transformarção de Felipe é lento e sofrido e cada vez que uma de suas curisiodades de criança é sufocada há um sonho simbolizando a perda gradual de sua inocência. Em um desses sonhos, o menino tem seu coração trocado por uma relógio cuco, o pássaro que imita o som dos outros. Essa é uma triste história de como Felipe vai perdendo o próprio som quando tem que se adequar às expectativas alheias.



O livro é bem pequenininho, para quem está começando a ler agora é bom para não assustar e tem ilustrações lindas. A temática de como a escola pode sufocar a curiosidade natural para implantar um saber artificial em seu lugar é recorrente na obra do autor e para o aluno pode ajudá-lo a aprender a zelar pela própria voz, mesmo convivendo com as imposições do crescimento. Só precisa antes descobrir (ou lembrar) qual é a sua.
O autor, Rubem Alves

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