PARNASIANISMO
O Parnasianismo foi um movimento essencialmente poético que reagiu contra os abusos sentimentais dos românticos.
Alguns críticos chegam a considerá-lo uma espécie de Realismo na poesia. Tal aproximação é relativa, pois apesar de algumas identidades (objetivismo, perfeição formal) as duas correntes apresentam visões de mundo distintas. O autor realista percebe a crise da auto-imagem religiosa da burguesia européia, já não acredita em nenhum dos valores da classe dominante e a fustiga social e moralmente. Em compensação, o autor parnasiano mantém uma soberba indiferença frente aos dramas do cotidiano, isolando-se na sua "torre de marfim”, onde elabora teorias formalistas de acordo com a inconseqüência e a superficialidade vitoriosa em vários setores artísticos, no final do século XIX.
Neste sentido, o Parnasianismo pode ser associado à Belle Époque - época dourada das elites européias, que se divertem com os lucros do espólio imperialista. O can-can, os cabarés e cafés parisienses, os janotas que bebem licor e as prostitutas de alta classe formam a imagem frenética de um mundo enriquecido e alegre. Uma certeza inabalável preside esse mundo: a de que ele é eterno e superior. Assim, o Parnasianismo será a tradução poética de um período de euforia e de relativa tranqüilidade social, no qual a forma se sobreporá às idéias.
Seu surgimento deu-se nasegunda metade do séc. XIX, na França, através da revista Parnase Contemporain, dirigida por Théophile Gautier. O poeta mais expressivo do grupo colaborador, Charles Baudelaire, mais tarde romperia com a pesada estética parnasiana.
CARACTERÍSTICAS
1) OBJETIVISMO E IMPESSOALIDADE
O poeta deve ser neutro diante da realidade, esconder seus sentimentos, sua vida pessoal. A confissão íntima e o extravasamento subjetivo, tão caros aos românticos, são vistos como inimigos da poesia. O Eu precisa se apagar frente do mundo objetivo, eclipsar-se. O espetáculo humano, cenas da natureza ou simples objetos são registrados, sem que haja interferências da interioridade do artista.
2) ARTE PELA ARTE
Os parnasianos ressuscitam o preceito latino de que a arte é gratuita, que só vale por si própria. Ela não tem nenhum sentido utilitário, nenhum tipo de compromisso. É auto-suficiente e justifica-se apenas por sua beleza formal.
3) CULTO DA FORMA
O resultado da visão descompromissada é a celebração dos processos formais do poema. A verdade de uma obra de arte passa a residir apenas em sua beleza. E a beleza é evidenciada pela elaboração formal. Logo:
POESIA = VERDADE = BELEZA = FORMA
Mas para os parnasianos forma seria a maneira de que poema pode ser apresentado, seus aspectos exteriores. Forma seria, então, a técnica de construção do poema. Isso representava uma simplificação primária do fazer poético e do próprio conceito de forma que passava a ser apenas uma fórmula. Uma fórmula resumida em alguns itens básicos:
a) Metrificação rigorosa: os versos devem ter o mesmo número de sílabas poéticas, preferencialmente doze sílabas (versos alexandrinos), os preferidos na época.
Ou apresentar uma simetria constante, do tipo: primeiro verso de oito sílabas, segundo de quatro sílabas, terceiro de oito sílabas, quarto com quatro sílabas, etc.
b) Rimas ricas: os poetas devem evitar as rimas pobres, isto é, aquelas estabelecidas por palavras da mesma classe gramatical, como substantivo com substantivo, adjetivo com adjetivo, etc.
c) Preferência pelo soneto: os parnasianos reivindicam a tradição clássica do soneto, composição poética de quatorze versos - articulada obrigatoriamente em dois quartetos e dois tercetos - e que se encerra com uma "chave de ouro", espécie de síntese do poema, manifesta tão somente no último verso.
d) Descritivismo: eliminando o Eu, a participação pessoal e social, só resta ao parnasiano uma poética baseada no mundo dos objetos, objetos mortos: vasos, colares, muros, etc. São pequenos quadros, fortemente plásticos (visuais), fechados em si mesmos, com grande precisão vocabular e freqüente superficialidade.
4) TEMÁTICA GRECO-ROMANA
Apesar de todo o esforço, os parnasianos não conseguem articular poemas sem conteúdo e são obrigados a encontrar um assunto desvinculado no mundo concreto para motivo de suas criações. Escolhem a Antigüidade Clássica, aspectos de sua história e de sua mitologia.
O PARNASIANISMO NO BRASIL
A primeira manifestação parnasiana no Brasil data de 1882, ano em que se publica o medíocre Fanfarras, de Teófilo Dias. Mas o movimento estrutura-se e ganha prestígio popular com a constituição da famosa tríade parnasiana: Olavo Bilac, Raimundo Correia e Alberto de Oliveira.
OS POETAS DO PARNASIANISMO
1) OLAVO BILAC (1865-1918)
VIDA: Nasceu no Rio de Janeiro, numa família de classe média. Estudou Medicina e depois Direito, sem se formar em nenhum dos cursos. Jornalista, funcionário público, inspetor escolar, secretário do prefeito do Distrito Federal, exerceu constante atividade republicana e nacionalista, realizando pregações cívicas em todo o país, inclusive pelo serviço militar obrigatório. Era um exímio conferencista e representou o país em vários encontros diplomáticos internacionais. Foi coroado como "príncipe dos poetas brasileiros", encarnando a liderança do grupo parnasiano. Por isso, ingressou na Academia de Letras, na condição de fundador. Paralelamente, teve certas veleidades boêmias e estas inclinações noturnas não deixaram de escandalizar e, ao mesmo tempo, fascinar a época.
OBRAS: Poesias (Reunião dos livros Panóplias, Via-láctea e Sarças de fogo -1888); Tarde (1918).
Podemos indicar os seguintes assuntos como dominantes em sua poética:
• a Antigüidade greco-romana
• a temática da perfeição
• o lirismo amoroso
• a reflexão existencial.
• o nacionalismo ufanista
2) ALBERTO DE OLIVEIRA (1857-1937)
VIDA: Nasceu no interior do Rio de Janeiro e formou-se em Farmácia. Exerceu várias funções públicas, entre as quais o magistério e tornou-se um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras. Sua lírica descritivista e convencional lhe garantiu um lugar no gosto médio da época, substituindo Olavo Bilac na condição de "príncipe dos poetas brasileiros", em 1924, quando o Parnasianismo já fora destruído pelas novas elites artísticas do país. Morreu em Niterói, aos oitenta anos.
OBRAS PRINCIPAIS: Meridionais (1884); Versos e rimas (1895); O livro de Ema (1900).
Seus poemas reproduzem mecanicamente a natureza e objetos decorativos. Enfim, uma poesia de rimas exatas e métrica correta. Uma poesia sobre coisas inanimadas. Uma poesia tão morta como os objetos descritos. Vaso grego é um exemplo desta mediocridade.
3) RAIMUNDO CORREIA (1859-1911)
VIDA: Nasceu no Maranhão e formou-se advogado, em São Paulo. Trabalha no interior do Rio de Janeiro como magistrado e, em Ouro Preto, como secretário de Finanças. Passa em seguida para a diplomacia, trabalhando em Lisboa. Volta mais tarde à antiga capital federal, onde mais uma vez exerce a magistratura. Morre, com cinqüenta e dois anos, em Paris, onde fazia um tratamento de saúde.
OBRAS PRINCIPAIS: Sinfonias (1883); Aleluias (1891).
A exemplo dos demais componentes da tríade parnasiana, Raimundo Correia foi um consumado artesão do verso, dominando com perfeição as técnicas de montagem e construção do poema. Alguns críticos valorizam nele o sentido plástico de suas descrições da natureza. O gelo descritivista da escola seria quebrado por uma emoção genuína - fina melancolia - que humanizava a paisagem.
4) OUTROS POETAS
Fora a tríade, o nome mais significativo do período é o de Vicente de Carvalho, poeta santista que, em suas obras principais (Ardentias, Poemas e canções), tematiza preferencialmente o oceano dentro de uma técnica parnasiana. Pelo menos um crítico viu nesta obsessão pelo mar um legado cultural do Romantismo. O certo, entretanto, é que, apesar da beleza de algumas descrições, livres do rigor formal da escola, o poeta manteve quase sempre a objetividade, fugindo de um registro original ou subjetivo da natureza.
Do site:
http://parnasianismoesimbolismo.weblog.com.pt/arquivo/2006/09/parnasianismo.html
Acesso em 08/05/2009
sexta-feira, 8 de maio de 2009
Para o Terceiro: aulas futuras
Assinar:
Postar comentários (Atom)
SeguidoresPesquisar este blog |
Categorias
- curtas (4)
- Dá licença que eu vou ali... (2)
- David Cook (15)
- entretenimento (8)
- Escolhidos por alunos (7)
- Fics (23)
- Filmes (24)
- Gifs (2)
- Ilustrando Drummond (9)
- Imag(em)inando (6)
- Índice de vídeos (1)
- Indignação (5)
- Listas (4)
- literatura (13)
- Livros (50)
- música (26)
- poesia (22)
- Por que ficar com ele? (2)
- Rádio Blog (10)
- reality show (12)
- Rostos Incríveis (1)
- Sem Marcação Óbvia (10)
- Série Desafios (1)
- Séries (9)
- televisão (2)
- Textos de alunos (38)
- textos para aula (6)
- Tumblr (3)
- vídeos (25)
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Para comentar você pode criar uma conta do Google, mas se achar mais fácil, pode selecionar a opção "Anônimo" que não te pedirão senha nenhuma. No entanto, mesmo assim, deixe seu nome no próprio comentário pra eu saber quem é você.