quinta-feira, 12 de novembro de 2009

O caso do vestido rosa: bullying institucionalizado

Já faz vários dias que isso aconteceu (22/10, se não me engano), ou seja, nesse mundo rápido já é notícia velha. Mas tenham paciência, levei uns dias para digerir, acho que minha cabeça também é velha (coisa que eu, sinceramente, gosto de achar). Enfim, o fato é que o caso está me incomodando e aí fiquei pensando no post da burka... Paisinho hipócrita esse nosso, não? Mulheres ficam milionárias exibindo o corpo, banalizando sua figura e as mesmas pessoas que devem ser seus fãs fazem o que fizeram com a estudante Geise Arruda.
Acho que todo mundo ficou sabendo do "bafão" envolvendo uma universidade inteira por causa do vestido curto da moça. Depois de ser xingada, provocada e insultada por todos e de sair com escolta policial, ela ainda foi expulsa da Universidade, ou seja, punida por ser vítima. Mudaram de ideia, mas a m... estava feita.
Para quem desconhece o termo usado no título, a palavra bullying explica um pouco do que aconteceu. Ela é usada para definir as agressões físicas e/ou psicológicas sofridas por alguém que tem sua auto-estima destruída por esses ataques e pode carregar marcas psicológicas dessa discriminação para sempre. É comum nas escolas e todos já vimos algum caso nos filmes. A única diferença em relação ao que fizeram com a Geise é que esses ataques são recorrentes, ou seja, se repetem diversas vezes. Mesmo assim, acho que ainda cabe. E o que mais me assusta, além do fato de isso ter acontecido dentro de uma universidade, onde devia ter gente pensante, é que a única punida foi ela. Aquela gente enfiando celulares embaixo da saia da moça representa aquela universidade e ao não receberem punições recebem seu aval.
Mas como punir todos os alunos? Inconfidência Mineira, minha gente, escolham bodes expiatórios à la Tiradentes. Mas façam alguma coisa para não ficar parecendo que aquilo é uma postura da Universidade. Afinal, se a roupa dela estava inadequada, os mesmos professores e funcionários que se juntaram ao coro de "Puta" deveriam ter barrado sua entrada. A desculpa do "efeito manada", isto é, de que amparados por um grupo fazemos coisas que não faríamos se estivéssemos sozinhos, já ficou muito velha.
Não é que eu não desaprove roupas inadequadas. Sou fã do Esquadrão da Moda, acredito no poder da aparência. Acho que a maioria das pessoas não tem tempo de conhecer sua "beleza Interior", então você tem que se preocupar, sim, com a imagem que passa. Sem hipocrisia, nós, mulheres, sabemos que temos nossa moral julgada pela maneira como nos apresentamos. Mas eu, ao contrário dos alunos da Uniban, não pretendo julgar possíveis erros da Geise. Porque, mesmo que ela tenha errado, isso não justifica a agressão que ela sofreu. A mesma linha de pensamento leva vítimas de estupro a serem "culpadas" pela agressão sofrida por causa da roupa que usavam, do lugar que frequentavam ou das companhias com que andavam.
Se um erro seu liberar o outro para cometer outro bem pior, então estamos todos f... Pois se tem outra coisa que nós mulheres também sabemos é que, nas ruas do nosso Brasil, podemos estar comportadamente vestidas, agirmos com seriedade e até um certo siso que, mesmo assim, a homarada se sente no direito de mexer com a gente.
Ninguém tem culpa de despertar o desejo do outro, o outro é que se controle. Por que senão, se eu tenho um carro que alguém deseja, ele pode roubar, não pode? Ninguém mandou eu ter uma coisa que ele não tem!
Viu? Quem foi que mandou a Geise ter pernão!?

Um comentário:

  1. Adorei esse texto! Fantástico!!
    Concordo em gênero e espécie!
    Abraços
    Dalva

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