sexta-feira, 26 de outubro de 2012

House: O Canto do Cisne



Eu não fiquei triste quando House acabou. Eu achava que era a hora certa, que o momento de acabar é sempre antes que se aproxime um fim inglório do qual não se pode fugir: a decadência. O episódio final foi interessante e, embora interessante não signifique necessariamente emocionalmente satisfatório, eu gostei. Mas foi só. Nada de lágrimas ou coração partido.
Então ontem, depois de ter visto os minutos finais novamente, eu comecei a assistir um especial chamado House - O Canto do Cisne. Era tarde da noite, naquela hora em que eu deixo a televisão ligada apenas a título de canção de ninar. É uma hora perigosa pra mim, pois metade do meu cérebro já está dormindo e minhas defesas estão todas postas abaixo. Quando estou assim, qualquer emoção suficientemente brutal ou sorrateira pode me fazer um estrago.
E cara, havia algo de brutal em ver o Hugh Laurie e o Robert Sean Leonard manchando as paredes do hospital com tiros de paintball, já que no dia seguinte o cenário seria demolido. Havia uma melancolia sorrateira me invadindo quando o Hugh, de propósito, machucando-se inconsequentemente como House faria, atira no próprio pé e segura pra não falar um palavrão (quem já levou tiro de paintball, sabe que dói pra ca@#%!), enquanto Robert ria de forma contidamente cruel, como Wilson teria rido.
De repente, lá estava eu com a sensação de que havia uma bolinha de paintball ricocheteando dentro do meu peito. Nem precisei do House pra me diagnosticar: eu tinha finalmente percebido que acabou. "Everybody lies", mas mesmo as mentiras que contamos pra nós mesmos não duram pra sempre. Que droga, não?
Ei, Hugh, vai um Vicodin aí pra sarar a dor?

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