Eu não fiquei triste quando House acabou.
Eu achava que era a hora certa, que o momento de acabar é sempre antes que se
aproxime um fim inglório do qual não se pode fugir: a decadência. O episódio
final foi interessante e, embora interessante não signifique necessariamente
emocionalmente satisfatório, eu gostei. Mas foi só. Nada de lágrimas ou coração
partido.
Então ontem, depois de ter visto os
minutos finais novamente, eu comecei a assistir um especial chamado House - O
Canto do Cisne. Era tarde da noite, naquela hora em que eu deixo a televisão
ligada apenas a título de canção de ninar. É uma hora perigosa pra mim, pois
metade do meu cérebro já está dormindo e minhas defesas estão todas postas
abaixo. Quando estou assim, qualquer emoção suficientemente brutal ou
sorrateira pode me fazer um estrago.
E cara, havia algo de brutal em ver o
Hugh Laurie e o Robert Sean Leonard manchando as paredes do hospital com tiros
de paintball, já que no dia seguinte o cenário seria demolido. Havia uma
melancolia sorrateira me invadindo quando o Hugh, de propósito, machucando-se
inconsequentemente como House faria, atira no próprio pé e segura pra não falar
um palavrão (quem já levou tiro de paintball, sabe que dói pra ca@#%!),
enquanto Robert ria de forma contidamente cruel, como Wilson teria rido.
De repente, lá estava eu com a sensação
de que havia uma bolinha de paintball ricocheteando dentro do meu peito. Nem
precisei do House pra me diagnosticar: eu tinha finalmente percebido que
acabou. "Everybody lies", mas mesmo as mentiras que contamos pra nós
mesmos não duram pra sempre. Que droga, não?
Ei, Hugh, vai um Vicodin aí pra sarar a
dor?

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