quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Bloqueio criativo: falta de foco ou excesso de compenetração?

Gente, para quem me acompanha no mundo das fics, agora participo de um blog com outras autoras. Esse é um texto que eu escrevi para uma coluna de lá. Bora conhecer o Amigas Fanfics?




Fics que amamos em HIATUS, atualizações que demoram tanto que você precisa reler tudo para se localizar na história novamente, autoras que tomam chá de sumiço todo dia às 5 horas, com pontualidade britânica...
Todo mundo que navega pelo universo das fanfics, seja leitor ou autor, passa por esses problemas, e o culpado é um só: o bloqueio criativo de quem escreve. Certo?
Bem... Não. Não é bem por aí.
O tal bloqueio criativo, ou seja, aqueles dias em que não sai uma única frase com nexo da sua cabeça — nem pra salvar a sua vida, se precisar — não é “privilégio” de autores amadores, os profissionais também recebem as costas das musas vez ou outra. Mas a verdade é que há diferentes maneiras de se encarar isso.
Algum escritor — que eu acho que foi meu divo John Green, mas não tenho certeza —já disse uma vez que bloqueio criativo não existe, que esse é o trabalho do escritor, então ele simplesmente tem que sentar lá na sua mesinha e escrever. Faz até sentido que tenha sido o John a dizer isso, porque quando perguntado a respeito, ele respondeu:
“Eu sempre me lembro do que meu pai me disse uma vez: mineiros não têm bloqueio criativo.”
Eu não estou certa de que entendi direito o que o adorável e fofo Papai Green (o pai do John é fofo mesmo, sabiam?) quis dizer com isso, mas interpretei da seguinte maneira: você tem bloqueio criativo porque a criatividade existe, se ela não existisse, você seria qualquer outra coisa, mas não escritor.
Certo, faz sentido. Então como faz pra tirar a bendita da casinha?
Bem, já que estou falando tanto dos Green, John ainda disse que escreve várias horas por dia, coisas boas e porcarias, e depois acaba apagando 90% do que escreveu e começando tudo de novo. Então a primeira lição que eu tiro disso é:

1 – ESCREVA. Não fique esperando os capítulos surgirem prontos, corrigidos e maravilhosos direto da sua cabeça para a tela. Escreva o que vier, depois você vê o que dá para aproveitar.

Mas e quando não sai nada, nada mesmo, e só de olhar pro computador você só pensa em passar o tempo vendo vídeos de filhotes no Youtube? Bem, querido (a) autor (a) exaurido (a). Talvez você esteja exigindo muito de si mesmo(a). Afinal, John Green — ou quem quer que tenha falado a coisa do “senta e escreva” — vive disso, e não precisa encarar escola, trabalho, faculdade ou sei lá mais o que, e depois ainda ter que escrever para leitores exigentes que esquecem que você não ganha nada para isso.
Isso acontece por três razões, possivelmente: a) você escreve 24353157896 histórias ao mesmo tempo e não está conseguindo se focar em nenhuma, porque, né? b) Você dedica tempo demais da sua vida para isso e esquece que precisa se exercitar, se divertir e viver um pouco sua própria vida. E c) Você está cansado(a) mesmo, uai! Acontece.
Então, para lidar com a questão da falta de foco, do excesso de compenetração ou do cansaço (todos eles apelidos do lindo do “bloqueio criativo”), aí vão mais algumas dicas:

2 – PRIORIZE-SE. Ponto. Se você estiver bem, equilibrada e descansada, o que quer que esteja te dificultando as coisas tende a desaparecer. Eu sei que a gente ama os leitores e quer sempre atendê-los, mas você precisa vir primeiro. Garanto que seu leitor prefere uma história bem escrita e organizada do que uma coisa feita às pressas só pra atender os anseios alheios ou as suas cobranças consigo mesmo. É tenso, mas você consegue.

3 – ORGANIZE-SE. Se você é do tipo que tem mil ideias de uma só vez, mantenha anotações delas, mas escolha apenas uma ou duas (de acordo com seu tempo livre) para desenvolver. E postar a história só depois de pronta ou bem adiantada também é uma boa ideia.

4 – DESCANSE. Permita-se ficar de bobeira, dormir ou tirar um tempo para se inspirar assistindo bons filmes e lendo (afinal, esse é o nosso combustível). Cuide de seu corpo e de sua mente.


E aqui no fim eu posso incluir também outro detalhe não mencionado, o de que, algumas vezes, não temos reconhecimento dos leitores. Às vezes as coisas simplesmente não funcionam e a história não cai no gosto do povo. Nós sabemos que nesse mundo você tem que saber ser diplomático para conquistar uma base de leitores respeitável (aliás, isso me dá ideia para outro texto), mas fazer isso nem sempre é fácil e tampouco óbvio. Talvez o problema não seja a sua escrita. Ou talvez seja. Mas a única maneira de evoluir é praticando, arriscando, experimentando... Então escreva para você. Porque você gosta. Quando você escreve apenas pensando em leitores e reviews e “faminha” de Facebook, você perde a parte mais divertida da coisa e as histórias tendem a ficar... bom, um lixo! Então não faça isso. Só não faça.

Espero ter ajudado. E não me culpem quando eu demorar com minhas atualizações. Vocês sabem: faça o que eu digo (para o seu próprio bem), mas não faça o que eu faço!


2 comentários:

  1. Maira mandando super bem. Sempre. Amo ela e sua criatividade maravilhosa.

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  2. Obrigada! Minha criatividade dá pro gasto, mas a sua é maior. Adoro vc, linda, maravilhosa!

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