sexta-feira, 14 de março de 2014

Dia Nacional da Poesia


Sim, eu sei, nem todos os textos precisam ser lidos. Todos os textos precisam nascer, mas alguns, honestamente, não merecem seus olhos. Ou seu tempo. 
Sei disso porque leio todo tipo de coisas, e do mesmo jeito que alguns textos deveriam voar para o céu e cair de volta como se fossem gotas de chuva sobre os Homens secos da presença deles, outros deveriam ser reservados apenas para os olhos de seus autores.
Mesmo quando - ou talvez principalmente quando - são gritos dissonantes que tinham que escapar sem ordem da voz que os profere.
Este meu texto não é bem um grito, mas era algo que eu tinha que tirar de mim. Não é ruim, mas também não é lá essas coisas. É só que eu liguei o computador agora e descobri que hoje é Dia da Poesia. Sei lá, talvez eu devesse postar uma poesia de quem soubesse o que está fazendo, mas vá lá... A verdade é que me pareceu apropriado.

Eu escrevo.
Escrevo como quem respira porque preciso.
Todo tipo de coisas e às vezes sou muito boa nisso.
Em outras, minhas palavras não passam de besteiras autocomplacentes.
Mas acho que tudo bem.
Não se respira do mesmo jeito o tempo todo.
E você não pode parar, de qualquer jeito.

Às vezes você respira pesadamente,
um ar cansado que fere sua garganta
sublimando-se em medo e angústia outrora líquidos.
Outras vezes, o ar que entra
sai com uma euforia de paixão acelerada.
E então em alguns dias você mal respira,
porque se resfriou.
Ou porque seu coração está gelado.

Não importa.
Você continua.
Porque respirar não é um vício.
Não é seu amor.
Não é algo de que você possa abrir mão.
Não é algo que você possa não.

Então eu escrevo como respiro.
Porque preciso.

Mesmo que seja apenas escolhendo as palavras dentro de minha cabeça.
Que ninguém nunca vai ouvir.
Porque nem você mesmo ouve o ar que entra e sai de seu nariz.

Como esse ar que faz seu trabalho em meus pulmões e impulsiona meu corpo,
Este é meu jeito de trazer o mundo para dentro.
Depois empurrá-lo para fora de novo,
com a ilusão de que ele está um pouco mais cheio de mim.
Mesmo sabendo que não está.

Não importa.
Escrevo porque é assim que eu penso.
Era assim, mesmo antes de poder de fato escrever,
Porque eu respiro desde que nasci.
E escrevo, mesmo que só em mim mesma.
Desde que a língua nasceu em mim.

Escrevo.
Respiro.
Preciso.

E quando cessar, cessarei também.

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