Para quem leu minha resenha de O Azarão, sobre o inquieto e melancólico Cameron Wolfe, talvez se lembre de que, no final, eu meio que prometi fazer algum comentário sobre as continuações: Bom de Briga e A Garota que eu Quero. Então, depois de ter passado mais um tempo agradável com a família Wolfe e concluído a leitura da trilogia, resolvi vir aqui cumprir essa minha "meio que promessa".
Dado meu histórico com o Sr. Zuzak (respect!), você deve ter previsto acertadamente que eu AMEI os livros. Aham, é claro que sim. Mas não fique se achando, isso não faz de você algum tipo de Sherlock, porque, please, é Markus, né? Então eu gostar já era algo tão certo quanto a morte, os impostos ou o fato de os personagens de Jared Leto morrerem ou ficarem seriamente feridos em 99,9% dos filmes. Isso, no entanto, não banaliza meu "selo de qualidade", se é o que você está pensando (eu sei que você não está pensando isso, ó, adorável leitor, mas tem gente bem julgadora por aí, vai dizer que não?).
Quer dizer, meus amores são eternos e incondicionais, e o fato de eu ter me apaixonado pela escrita poética e coisada do Markus significa que já está implícito que eu amaria qualquer coisa que ele escrevesse, até mesmo um livro sobre um carrapato falante chupando o sangue de um ET roxo que mora no armário da cozinha de uma velha maluca que cria 50 gatos (se bem que, de um jeito bem deturpado, essa história tem até um certo potencial, rsrs). E eu sei que nem todo mundo concordaria comigo nessa incondicionalidade toda. O Azarão, por exemplo, pode parecer um livro excêntrico e bem meio parado se analisado com olhos menos apaixonados. Até aí tudo bem, porque é uma questão de gosto, e gosto é pessoal e intransferível como certa parte do corpo (testa, cérebro, pescoço... não sei porque você pensou naquela parte, mente poluída!), mas qualidade não é algo relativo. No, sir! E se eu digo que você pode esperar qualidade numa obra, você pode comprar sua passagem, arrumar sua mala e ir para o ponto, que o Expresso Coisa Bem Feita vai passar pontualmente às 10 da noite (porque eu gosto dessa hora, porque sim ¬¬) para te levar para aquela viagem na leitura.
Então eu te garanto, se a história te interessar e estiver de acordo com seu gosto, pode investir na leitura, porque a qualidade é garantida. Sendo assim, vou te esclarecer rapidamente sobre a história de cada livro.
Bem, em O Azarão conhecemos o Cameron e sua família:
1 - Os pais trabalhadores e rígidos, Clifford (mais conhecido como papai), encanador competente que não aceita mimimi dos filhos, e a Sra. Wolfe, que é quase sempre chamada assim por Cameron, mesmo quando Clifford é Cliff ou papai, tamanha a aura de respeito com que ele reveste a esforçadíssima faxineira.
2 - A irmã Sarah, com quem Cameron não tem uma relação tão próxima quanto gostaria, mas por quem nutre um amor protetor.
3 - Steve, o irmão mais velho, que é a pessoa mais bem sucedida da família, faz faculdade, tem um bom emprego, uma namorada e o respeito e a admiração de todos, principalmente de Cameron. Só que Steve não retribui na mesma moeda, já que trata os irmãos mais novos como se fossem dois garotos tontos. Justiça seja feita, eles são garotos tontos às vezes, mas isso não é só o que eles são.
4 - E, finalmente, o Rube. Um ano mais velho que Cam, forte, destemido, conquistador e carismático, é o personagem que tem a relação mais próxima e adorável com nosso narrador.
Estes últimos serão personagens importantes nas sequências, já que Bom de Briga centra-se na relação entre Cameron e Rube, e A Garota que eu Quero vai trazer uma aproximação inesperada, dolorosa e gratificante com Steve. Em relação a isso, convém notar que você não precisa ler os três livros, pois eles não são uma trilogia no sentido tradicional da palavra. Embora sigam um ordem cronológica, as histórias são suficientemente independentes para serem compreendidas sozinhas. Mas para realmente entender o desenvolvimento de Cameron e de sua relação com seus irmãos é bacana ler os três. Portanto, vamos aos dois últimos.
Em Bom de Briga, a familia está enfrentando sérias dificuldades financeiras. Clifford foi obrigado a ficar um tempo parado por causa de um acidente de trabalho e não está conseguindo restabelecer a clientela. A resistência dele e da Sra. Wolfe em aceitar ajuda financeira dos filhos leva a um atrito com Steve, que sai de casa para morar com a namorada. Sarah, por sua vez, tem se comportado de forma meio errática, por assim dizer, acabando-se em festas e bebedeiras e ganhando uma fama de vadia no processo. É essa "fama" que vai fazer Rube brigar, ou melhor, massacrar um garoto na escola e ser abordado por um organizador de lutas clandestinas. Motivados pela promessa do dinheiro, mas acima de tudo pela vontade de se encontrarem em algo em que sejam realmente bons, Rube e Cam entram nessa aventura perigosa e acabam descobrindo umas e outras coisas sobre si mesmos enquanto isso.
Em a Garota que eu Quero, Ruben cresceu e se tornou um mulherengo irresistível. Cameron, no entanto, não inveja as conquistas do irmão, já que os relacionamentos deste são superficiais e passageiros. Cameron quer mais, sempre quis, por isso as coisas se complicam quando uma das namoradas de Rube, Octavia, parece merecer o tipo de amor que apenas Cam pode lhe dar. Esse é o melhor livro dos três, porque é nele que nosso narrador finalmente se encontra. E pelos olhos de Steven, Ruben e Octavia, ele vai perceber que está finalmente se tornando o homem que estava destinado a ser.
Se você leu O Azarão e achou meio paradinho, faça uma consessão e dê uma chance às suas sequências. Se eu fosse disso, apostaria que certos lutadores podem ganhar seu coração. Pelo menos é uma briga boa.


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