sexta-feira, 22 de agosto de 2014

O JOGO DO ANJO - CARLOS RUIZ ZAFÓN



por Gláucia Gulhem


Não queria começar com “não gostei” ou “ não indico”, mas são as  palavras que melhor traduzem o sentimento ao terminar a leitura, mas posso me explicar...
Terminei A Sombra do Vento embevecida, estimulada e muito encantada com o estilo de Zafón. Comecei O Jogo do Anjo com as mais altas expectativas e considero que este tenha sido o erro, não as atingi.
Mais um escritor – novos acontecimentos – uma vida muito diferente. David Martin, o protagonista, com uma vida sofrida e com mudanças constantes.
“Ainda não posso morrer, tenho coisas a fazer. Depois terei a vida inteira para morrer.” Pág.77
David tinha muitas coisas para fazer. Viver seu amor com Cristina e ajudar seu amigo Pedro Vidal, que se achava um escritor.
Ser um escritor famoso, ver seu nome na capa de livros na livraria do Sr. Sempere, personagem amável e querido, desde  A Sombra do vento, muito bom reencontrá-lo.
Mas “um escritor nunca é uma pessoa de confiança” pág. 103
E sua vida segue aos trancos e barrancos, às vezes escrevendo livros que não o agradavam para sua sobrevivência. Até que recebe uma proposta de trabalho misteriosa, diferente e suspeita.
“Ninguém está plenamente consciente da cobiça que se esconde em seu coração até o momento em que ouve o doce tilintar da grana em seu bolso.” Pág.164
Doente, na  miséria e vencido pela insistência do “Patrão” ,como chamava o editor Andreas Corelli, responsável pela encomenda do livro que mudaria sua vida.
Zafón é admirável em suas descrições, com riqueza de detalhes e com a habilidade ímpar de direcionar todos os personagens ( e são muitos) pelos caminhos da trama.
Surge Isabella. Um  “ anjo da guarda”  e uma pedra no calcanhar de David, mas responsável pela descoberta de sentimentos  antes por ele desconhecidos.
O suspense é trabalhado com maestria, com surgimento de personagens e fatos novos constantes. Considero desnecessário o terror que se apresenta em alguns momentos. Só o suspense já faria o seu papel.
Uma soma de mortes e desencontros amorosos. Sem final feliz, sem viverem felizes para sempre, com romances improváveis .
“A vida lhe ensinou que todos nós precisamos tanto de grandes e pequenas mentiras quanto de  ar.” Pág.361
Para quem tem o dom de desvendar mistérios, perfeito.
Para quem aprecia uma boa escrita, ótimo.
Para quem busca calmaria e encontros confortantes , não indicado.
“A  única maneira de conhecer realmente um escritor é através do rastro de tinta que ele vai deixando.” Pág. 294

Ou sangue...

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