por Gláucia Gulhem
Não queria começar com “não gostei” ou “ não indico”, mas
são as palavras que melhor traduzem o
sentimento ao terminar a leitura, mas posso me explicar...
Terminei A Sombra do Vento embevecida, estimulada e muito
encantada com o estilo de Zafón. Comecei O Jogo do Anjo com as mais altas
expectativas e considero que este tenha sido o erro, não as atingi.
Mais um escritor – novos acontecimentos – uma vida muito
diferente. David Martin, o protagonista, com uma vida sofrida e com mudanças
constantes.
“Ainda não posso morrer, tenho coisas a fazer. Depois terei
a vida inteira para morrer.” Pág.77
David tinha muitas coisas para fazer. Viver seu amor com
Cristina e ajudar seu amigo Pedro Vidal, que se achava um escritor.
Ser um escritor famoso, ver seu nome na capa de livros na
livraria do Sr. Sempere, personagem amável e querido, desde A Sombra do vento, muito bom reencontrá-lo.
Mas “um escritor nunca é uma pessoa de confiança” pág. 103
E sua vida segue aos trancos e barrancos, às vezes
escrevendo livros que não o agradavam para sua sobrevivência. Até que recebe
uma proposta de trabalho misteriosa, diferente e suspeita.
“Ninguém está plenamente consciente da cobiça que se esconde
em seu coração até o momento em que ouve o doce tilintar da grana em seu
bolso.” Pág.164
Doente, na miséria e
vencido pela insistência do “Patrão” ,como chamava o editor Andreas Corelli,
responsável pela encomenda do livro que mudaria sua vida.
Zafón é admirável em suas descrições, com riqueza de
detalhes e com a habilidade ímpar de direcionar todos os personagens ( e são
muitos) pelos caminhos da trama.
Surge Isabella. Um “
anjo da guarda” e uma pedra no calcanhar
de David, mas responsável pela descoberta de sentimentos antes por ele desconhecidos.
O suspense é trabalhado com maestria, com surgimento de
personagens e fatos novos constantes. Considero desnecessário o terror que se
apresenta em alguns momentos. Só o suspense já faria o seu papel.
Uma soma de mortes e desencontros amorosos. Sem final feliz,
sem viverem felizes para sempre, com romances improváveis .
“A vida lhe ensinou que todos nós precisamos tanto de
grandes e pequenas mentiras quanto de
ar.” Pág.361
Para quem tem o dom de desvendar mistérios, perfeito.
Para quem aprecia uma boa escrita, ótimo.
“A única maneira de
conhecer realmente um escritor é através do rastro de tinta que ele vai
deixando.” Pág. 294
Ou sangue...
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