Parem de atirar em
nós!
- Formation -
A música pode ser considerada a forma de arte mais popular e influente
do mundo, trazendo consigo mensagens que atravessam gerações, executando um
papel essencial na cultura universal. Por ser essa poderosa forma de expressão
que monopoliza atenções para o mercado fonográfico mundial, por muitas vezes
torna-se ferramenta de protesto e desabafo, tal como durante o período da
Ditadura Militar, e no início do mês, quando foi usada de forma grandiosa,
ousada e politizada por ninguém menos que Beyoncé.
Sendo a artista negra mais influente do cenário musical contemporâneo,
a Queen B, como é conhecida pelos fãs, foi por diversas vezes criticada por
sua falta de posicionamento em relação a temas controversos e políticos, mais
precisamente o racismo. No entanto, com "Formation" presenciamos o
nascimento de mais uma grande figura ativista em prol da causa negra americana
e mundial.
Beyoncé
celebra como nunca antes sua identidade afrodescendente, nos presenteando com
um clipe crítico, que traz inúmeras referências ao contínuo extermínio de jovens
negros pela polícia americana, ao tempo da escravidão, ao eterno ativista
Martin Luther King, ao assassinato de Messy Mya, um artista negro morto em
2010, à segregação racial e até mesmo ao furacão Katrina, que deixou milhares
de pessoas, dentre elas os muitos negros que compõe a população de Nova
Orleans, abandonados e desabrigados.
Abusando de sua natural e poderosa postura feminista, Bey questiona,
afronta e dá uma verdadeiro tapa sem luva no conservadorismo branco, como sal
na ferida. Mas não foi o suficiente, ela precisava externar sua mensagem há
tanto reprimida no maior evento esportivo americano, o Super Bowl, e como
externou!
Ela estava lá, roubando a cena de forma incisiva, expondo
corajosamente a todos que, mesmo alcançando o topo do mundo, nunca esqueceu
suas origens. O vídeo, a letra e a coreografia apresentada no Super Bowl
abraçam sua herança escravocrata, celebram e exaltam seus traços negros e relembram
heróis da causa negra, como Malcolm X e o grupo Panteras Negras, que defendia
os jovens negros da violenta polícia na década de 60.
Beyoncé deu a cara a tapa e se tornou motivo de orgulho para todos os
negros espalhados pelo mundo, que há muito não eram defendidos e representados de
forma tão grandiosa e digna. Formation deu voz há uma causa que que se
encontrava calada e oprimida, como sol tapado com uma peneira.
Utilizando a música de forma brilhante e ousada, a rainha negra gritou
aos quatro ventos que a luta pela igualdade continua, e que ela não irá mais se
calar!
Para você conhecer ou rever:

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