sábado, 20 de fevereiro de 2016

FORMATION DE BEYONCÉ, POR KARINA ROCHA

Um texto de minha ex-aluna, agora amiga e colaboradora, sobre o fantástico e polêmico hit de Beyoncé.  



   
             Parem de atirar em nós!
                     - Formation -

A música pode ser considerada a forma de arte mais popular e influente do mundo, trazendo consigo mensagens que atravessam gerações, executando um papel essencial na cultura universal. Por ser essa poderosa forma de expressão que monopoliza atenções para o mercado fonográfico mundial, por muitas vezes torna-se ferramenta de protesto e desabafo, tal como durante o período da Ditadura Militar, e no início do mês, quando foi usada de forma grandiosa, ousada e politizada por ninguém menos que Beyoncé.
Sendo a artista negra mais influente do cenário musical contemporâneo, a Queen B, como é conhecida pelos fãs, foi por diversas vezes criticada por sua falta de posicionamento em relação a temas controversos e políticos, mais precisamente o racismo. No entanto, com "Formation" presenciamos o nascimento de mais uma grande figura ativista em prol da causa negra americana e mundial.
Beyoncé celebra como nunca antes sua identidade afrodescendente, nos presenteando com um clipe crítico, que traz inúmeras referências ao contínuo extermínio de jovens negros pela polícia americana, ao tempo da escravidão, ao eterno ativista Martin Luther King, ao assassinato de Messy Mya, um artista negro morto em 2010, à segregação racial e até mesmo ao furacão Katrina, que deixou milhares de pessoas, dentre elas os muitos negros que compõe a população de Nova Orleans, abandonados e desabrigados.
Abusando de sua natural e poderosa postura feminista, Bey questiona, afronta e dá uma verdadeiro tapa sem luva no conservadorismo branco, como sal na ferida. Mas não foi o suficiente, ela precisava externar sua mensagem há tanto reprimida no maior evento esportivo americano, o Super Bowl, e como externou!
Ela estava lá, roubando a cena de forma incisiva, expondo corajosamente a todos que, mesmo alcançando o topo do mundo, nunca esqueceu suas origens. O vídeo, a letra e a coreografia apresentada no Super Bowl abraçam sua herança escravocrata, celebram e exaltam seus traços negros e relembram heróis da causa negra, como Malcolm X e o grupo Panteras Negras, que defendia os jovens negros da violenta polícia na década de 60.
Beyoncé deu a cara a tapa e se tornou motivo de orgulho para todos os negros espalhados pelo mundo, que há muito não eram defendidos e representados de forma tão grandiosa e digna. Formation deu voz há uma causa que que se encontrava calada e oprimida, como sol tapado com uma peneira.
Utilizando a música de forma brilhante e ousada, a rainha negra gritou aos quatro ventos que a luta pela igualdade continua, e que ela não irá mais se calar!

Para você conhecer ou rever:




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