quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Adoring Adele



Atualmente, existem três tipos diferentes de cantoras:
1- Aquelas que cantam mal ou até medianamente, mas são bonitas, gostosas e sabem usar esses atributos.
2- Aquelas que não são especialmente talentosas ou especialmente belas, mas sabem cativar pelo choque.
3- Aquelas que são realmente boas e não precisam de nenhum artifício. São boas e ponto final. Tudo o mais fica fosco diante de seu brilho. Infelizmente, ao longo do caminho, muitas sucumbem ao apelo do primeiro grupo.

A esse primeiro grupo pertencem a maioria das cantoras que fazem sucesso hoje em dia. Não é necessário ferir suscetibilidades dizendo seus nomes.

Ao segundo grupo pertencem divas inteligentíssimas como Madonna e Lady Gaga, que empregam seus talentos em estratégias de marketing certeiras, duradouras e colossais. Madonna subiu ao topo nos anos 80 chocando através da sexualidade explícita e despudorada para os padrões da época e permanece rainha até hoje como comprova o show do intervalo do Super Bowl. Lady Gaga, que já não podia lançar mão do erotismo numa época em que o pornográfico faz mais sentido, mergulhou fundo na esquisitice, voltou do mergulho com o nome na boca do povo e parece que veio para ficar.

Ao terceiro grupo pertence Adele. Não apenas ela, que fique claro, mas para mim ela é rainha, perfeita-mor.

De quando em quando surgem vozes potentes e originais o suficiente para arrancar as pessoas do torpor de vozes parecidas, repertórios pobres e banalização da figura da mulher. Se essa voz sair da garganta de uma mulher realmente interessante, ela vai sobreviver aos apelos de erotização do seu corpo, de exposição da sua figura e de popularização de seu repertório. Ela vai subir ao palco com seu rosto sincero, um vestido bonito e decente e nada além de sua voz e uma música saída de seu coração partido. Nada de dançarinos e coreografias de boate de striptease ou efeitos especiais exibicionistas. Nada de ferramentas tecnológicas corrigindo e deformando suas vozes 99% do tempo. Só uma mulher, seu coração e seu vozeirão. Essa é minha adorada Adele, que veio para reestabelecer minha fé no talento musical feminino.
Se você não a conhece (pouco provável, mas possível), conheça-a nos álbuns 19 e 21, esse último, sem dúvida, o melhor de 2011. Não é à toa que ganhou 6 Grammys.

Recomendo a leitura: http://pensarenlouquece.com/adele-e-o-dom-de-fazer-homens-crescidos-chorarem/

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