sábado, 2 de junho de 2012

Palavras do Rafael

Esse texto é do meu aluno Rafael Farias Maia. Nele está o misto de indignação, revolta e culpa que sentimos diante da violência, aparentemente, sem sentido. Mas por mais doloroso que seja esse sentimento, é sinal de que não estamos entorpecidos. Ainda existem muitos de nós que se importam com o próximo, de um jeito ou de outro.

Um jovem casal foi morto na porta de casa enquanto voltava de uma festa à noite.
Os brasileiros escutam essas coisas todos os dias, e cada vez que escutamos algo assim ficamos revoltados, pensativos e às vezes com medo.
Mas será que temos esse direito? Será que a culpa é somente do criminoso? Não. Por mais dura que seja a verdade, nós também temos culpa.
            A mesma sociedade que abandona, que humilha, que tem preconceito, que não ajuda e que forma os criminosos, é a mesma sociedade que os condenará depois.
Mesmo tendo essa ideia em minha mente não consigo me conter, ao saber de algo tão horrível, meu coração se enche de raiva, minha mente se apaga, não sinto mais nada, a não ser a terrível vontade de condená-los, mas parece que suas mortes não seriam o bastante.         
Mas, quem sou eu para condená-los? Quem sou eu para apontar o que está errado? Eu, um pobre humano, um simples mortal, não posso fazer nada, apenas seguir o caminho que me foi dado.

Um comentário:

  1. Olá Rafael,

    Ótimo texto, talvez compartilhemos uma ideia semelhante sobre o ato de parar de colocar a culpa nos outros e começar a olhar para o próprio umbigo. Outro ponto interessante, é sobre as repetidas matérias que vemos nos jornais, vemos todos os dias casos de sequestros, assassinatos a sangue frio, assaltos, furtos, etc. A impunidade está se tornando algo banalizado, algo como a política ou educação, que é apenas levada com a barriga.

    Sobre o trecho em que você sita que não pode fazer nada, isso é um erro, é mais uma ideia falsa do brasileiro. Podemos fazer muita coisa sim! Veja o exemplo: a sociedade brasileira é como um rottweiler, é forte e imponente, porém, está adestrado a fazer o que lhe for mandado. A sociedade brasileira está adestrada a não protestar, a não pedir seus direitos, a não lutar por algo melhor e maior, esse é o problema, infelizmente.

    Enfim, o texto está muito bom, parabéns.

    Roberto.

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