Sentado à beira do sofá,
vejo meu pai. De costas, pois já não está mais presente aqui, não neste plano,
apenas em minha imaginação. Vejo que ele segura algo, não com suas mãos, com
sua alma, não é um objeto, nada que possa ser tocado ou visto, é um sentimento,
sentimento de esperança por sua família, pelo futuro de seu filho.
Lembro-me das claras
noites que passava estudando isoladamente em meu quarto. Lembro-me de olhar
para o mesmo sofá e vê-lo, do mesmo modo que o vejo agora, porém não em minha
imaginação. Lembro-me de suas sábias palavras:
– O tempo voa! Como é
bom ter essa sua idade, estude e você será quem quiser.
Atravessei a madrugada
matutando dentro de mim: quem eu quero ser? Ser o que? Para quem ou por quê?
N’outro dia, meu pai, infelizmente partiu. Sentado ao seu lado, velando seu
corpo aos prantos, lembrei-me de suas sábias palavras, e então uma luz me
iluminou e uma ideia logo brotou, uma ideia que sussurrava em meu ouvido,
dizendo claramente quem eu quero ser. Quero ser meu pai.

Obrigado professora, pela oportunidade!
ResponderExcluirOi, Roberto! Gostei do seu texto! Você já leu um poema do Fernando Pessoa (Álvaro de Campos) que se chama "Aniversário"?
ResponderExcluirUm abraço,
Sandra Pereira
Oi, Sandra!
ResponderExcluirNunca li este poema, mas minha professora me mostrou ele, muito belo por sinal!
Fico muito honrado de ter meu simples texto comparado com uma obra de arte, muito obrigado por ter gostado!
Roberto.