terça-feira, 21 de agosto de 2012

Sorrir dói


"Sorrir dói", responde a filha de nove anos de uma amiga minha, quando perguntada sobre por que era tão séria.
Ao contrário do que muitos me acusaram, eu não a influenciei a dizer isso. Talvez um desvio de ATM ou um precoce coraçãozinho de poeta possam ser os culpados, mas não eu. Essa frase divinamente poética e genialmente melancólica saiu mesmo dos lábios de uma garotinha de nove anos.
E não adianta procurar explicações, mundo. C'est la vie! E a vida, vira e mexe acorda com um esplêndido e delicioso mau-humor.
Sabe de uma coisa, Júlia, o mundo é um lugar engraçado e não sabe brincar. Nem sempre aprecia quando a gente ri da cara dele desse jeito. O mundo é ácido, mas não nos entende quando devolvemos acidez para ele. Então eu digo: se não sabe brincar não desce pro play, não é verdade?
Sorte que você tem aqui uma alma irmã que te entende e aprecia a deliciosa ironia de que a poesia nasce da dor e de que o verdadeiro humor é negro. E poucos, como nós duas, sabem rir disso. Um sorriso amarelo e escondido, claro, porque a gente tem que manter nossa reputação.
É isso aí, Julinha! "Tamo" junto! Sorrir dói.
Que o digam os poetas, as sensíveis garotinhas de nove anos e aqueles que têm que sentar na cadeira do dentista.

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