quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

O Azarão - Markus Zuzak



Então um dia na minha vida de leitora, Markus Zuzak apareceu, e Liesel Meminger, A Menina que Roubava Livros, roubou meu coração.
E eu nem vou cansar você dizendo mais uma vez o quanto esse livro é bom, e o estilo do autor está lindamente depurado ali e essa coisa toda.
Não vou dizer porque já disse antes disso já havia Markus e ele já era o autor pelo qual me apaixonei, como pude comprovar ao ler Eu Sou o Mensageiro maravilhoso! e agora O Azarão, ambos escritos antes de seu grande sucesso.
Tendo sido um de seus primeiros livros, O Azarão é simples e despretensioso, apenas a história de um garoto de 15 anos que tem a mania de abaixar suas expectativas o tempo todo.
É que Cameron Wolfe, o garoto, não quer decepcionar você. Ele já tem os pais, os irmãos, as garotas e a si mesmo com que se preocupar.
Cameron acha - não, ele sabe - que garotos de 15 anos tendem a ser um tanto pervertidos, inconsequentes e às vezes um pouco estúpidos por definição. E ele e seu irmão, Ruben, são um pouco de tudo isso com mais frequência do que gostariam, mas Cameron odeia essa situação. 
Ele é o tipo de pessoa que vive como se se fosse um narrador onisciente de sua própria história, isto é, embora não consiga evitar que as coisas sejam como são, consegue enxergá-las com a clareza espantosa de quem está de fora. E, pode acreditar, não é uma visão agradável na maior parte do tempo. 
Então Cameron quer mudá-las. Quer ser aquele tipo de homem que nenhum garoto é ou espera ser. Quer amar, ser amado, e fugir da mediocridade e inércia da vida, rumo à beleza que só ele parece conseguir enxergar.
Cameron quer crescer e pular a etapa toda de ainda não ser quem gostaria de ser, mas, paradoxalmente, entende que isso não será possível sem passar por todo o processo, sem ser o "caso perdido" que é.
"É só um menino", você pensa, "e essa é apenas uma história sobre e para adolescentes, então talvez Cameron devesse ser um pouco mais condescendente consigo mesmo. Afinal, este é só mais um livro despretensioso, só mais uma história sobre crescimento".
Só que não. Não exatamente.
Não é uma simples história sobre crescimento, quando quem está crescendo é Cameron Wolfe. E não é um livro simples quando, de alguma forma estranha e impossível, Cam se confunde com Markus. Porque ele ainda não sabe, mas a visão do todo, aquela que só cabe ao autor, é a causa de sua angústia. 
E ele se confunde também comigo, leitora, à medida em que se deslumbra com as palavras ao seu redor e mantém aquele estranhamento diante da beleza insuspeita e assustadora do mundo, tudo isso descrito com aquela linguagem peculiar, mas coisada de uma beleza cortante, como só Markus sabe fazer. 
O Azarão é um livro incomum e pretensamente despretensioso (sim, é isso mesmo), no fim de tudo. E o final, literalmente falando, é um caso à parte entre os finais de livros que eu já li. Certamente, um dos mais estranhos, poéticos e causadores de vergonha alheia, mesmo que não seja ufa! o fim de verdade.
A história de Cameron continua em Bom de Briga e A Garota que Eu Quero, ambos já esperando bonitinhos na minha fila de leitura. Talvez eu escreva minhas impressões sobre eles também, mas se eu não o fizer, você pode me perguntar daqui um tempo. É sempre um prazer falar de Markus.

2 comentários:

  1. É um prazer ler suas considerações. E claro, Markus sempre está em nossas listas! :D

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