Aí a gente passa tanto tempo lendo autores americanos que se esquece de que existe gente boa em todo lugar. Claro, com tanto livro inegavelmente interessante vindo daquela terra onde eles costumam virar filmes, fica difícil lembrar que há mundos igualmente encantadores bem mais perto de casa. Se você está entre esses esquecidos, aconselho-o a olhar em volta. Há diversos autores nacionais abrindo caminho em meio ao preconceito velado e mostrando que história que acontece no Brasil também pode ter muito charme, muito obrigada.
Recentemente, eu descobri uma dessas autoras, Carina Rissi. Um dia eu estava lá, procurando a saída da Caverna do Dragão de bobeira pelo Facebook, quando vi uma propaganda com a sinopse de um dos livros dela, Encontrada. Fiquei louca pela história e descobri que ele era, na verdade, continuação de outro, Perdida. Aí, como era de se esperar de mim, encomendei logo os dois e cá estou para contar o que achei, porque eu sou legal assim, né? Gosto de indicar livros bons, não consigo evitar.
PERDIDA - Um Amor Que Ultrapassa As Barreiras Do Tempo
Sofia Alonso é uma mulher moderna. Dona do próprio nariz, ela luta com a vida desde que seus pais morreram num acidente de carro, e ela se viu obrigada a enfrentar a realidade sozinha. Para poder se sustentar e terminar de pagar a faculdade, Sofia se sujeitou a um emprego de que não gosta, sob as ordens de um chefe insuportável, mas agora ela vê sua chance de uma vida melhor. Quando o chefe se aposentar, ela espera ser promovida e tomar o lugar dele. Não é bem o emprego dos sonhos, mas... Estabilidade é, certamente, um luxo bem-vindo e Sofia não tem grandes ilusões.
Com isso em mente, ela não tem tempo para mimimi, não pensa em se comprometer e é completamente dependente da tecnologia que tanto facilita sua vida corrida.
Ian Clarke também perdeu os pais. Desde muito jovem, administra a propriedade e os negócios da família, além de cuidar da irmã adolescente, Elisa. Para o bem dela, ele está disposto a colocar suas expectativas em segundo plano e casar-se com uma perfeita mulher de sua época. Alguém que possa servir de exemplo para Elisa e ajudá-la a se transformar numa moça respeitável e em sintonia com as exigências da sociedade em que vivem.
Eles ainda não sabem, mas são perfeitos um para o outro. A não ser por um pequeno problema...
E com sofrência dá mais gosto.
Sofia vive em 2010. Ian, em 1830. E, não, esses não são os números de seus apartamentos, eles estão mesmo separados por 180 anos.
Mas como pode isso? @#$%¨! Estragou meu ship.
Rá! Só que não.
Uma noite, depois de beber um pouco a mais, Sofia derruba seu celular no vaso sanitário (visualizo gente se identificando) e corre comprar outro no dia seguinte. O mais moderno possível. Tão moderno que acontece uns ziriguiduns potentes e... BUM! Ela acorda de um desmaio - de regatinha branca, saia curta e All Star vermelho - em pleno ano de 1830, bem no caminho de um certo cavalheiro. Pensando se tratar de uma vítima inocente de saqueadores, o Sr. Clarke leva a moça para casa, tentando ao máximo não olhar para sua "nudez" e compreender as palavras estranhas e ameaças que saem da boca dela. E a Srta. Alonso, tão indefesa, coitadinha, precisa entender o que aconteceu e procurar o caminho de volta para casa. Contando, certamente, com os préstimos de um certo rapaz encantado por sua espontaneidade.
Bateria de shipper carregada 100%.
Quem quer que a Sofia volte para 2010? O Ian, com certeza, não quer. O ano de 1830, porém, talvez não esteja preparado para ela.
Agora pare por aqui se prefere ler Perdida antes de saber o que vai rolar em Encontrada.
Quer dizer, eu não testei, mas...
ENCONTRADA - À Espera Do Felizes Para Sempre
Sofia conseguiu voltar para Ian e fixar residência definitiva no século 19. Os dois vão se casar e em breve as excentricidades da Sra. Clarke serão fofoca antiga. Tudo vai ficar bem.
Parece o fim da história, certo? Errado. É o começo. Se qualquer casamento já dá trabalho, imagina entre duas pessoas de épocas tão diferentes?
Claro que eles se amam e vão dar um jeito em tudo. Também não é como se a Sofia pudesse pedir o divórcio e voltar para casa, mas um pouco de realismo antes do "para sempre" é uma boa pedida para uma continuação. Torna a história deles ainda mais bonita. Mas antes... Bom, antes tem o creme de cabelo e a tia Cassandra. Não entendeu? Espera que eu explico.
O problema começa quando Sofia põe na cabeça que Ian está enfrentando dificuldades financeiras. Meio que acidentalmente, ela encontra uma maneira de ganhar o próprio dinheiro e, quem sabe, ajudar o marido, vendendo um cosmético caseiro para os cabelos que encantou a mulherada local. A questão é que Ian não pode ficar sabendo disso.
Por mais mente aberta que ele tente ser, ele ainda é um homem do século 19, e lá esposas que trabalham são um atestado de que o marido não pode cuidar delas. É uma humilhação tremenda! Além disso, qualquer problema com a reputação de Sofia reflete diretamente na forma como as pessoas enxergam Elisa, que é, afinal, uma mocinha casadoira. (Não a critiquem, o que mais ela poderia almejar em 1830?)
Como se isso já não fosse problema o bastante para a lua de mel, a tia dele, uma doida com jeito de bruxa da Disney, resolve passar uns tempos na casa deles. E qualquer sogra perto dela parece mais doce que leite condensado, só digo isso.
Você pode até parar em Perdida, contentando-se com o Felizes para Sempre que fica no ar, mas, de verdade, compensa passar mais um tempo com SofIan e com os coadjuvantes encantadores que a Carina criou.
Uma curiosidade sobre os livros é que a autora se deu uma liberdade interessante no enredo. Ela fingiu, deliberadamente, que a escravidão não existiu. Claro, a história de Perdida e Encontrada é, bem dizer, um conto de fadas, não dava para botar o príncipe como sinhozinho. E torná-lo um abolicionista todo moderno também não ficaria muito coerente com o clima dos livros, então eu acho que ficou legal. Não dá para fazer nada para apagar essa mancha em nossa história, então, pelo menos na fantasia, acho que podemos fingir que vivemos num lugar melhor. Apesar disso, dá para aprender bastante sobre os costumes domésticos e sobre a sociedade do período. Além de toda a diversão que o choque cultural entre os personagens nos proporciona.
Se você está a fim de uma história de amor tipo filme bom de Sessão da Tarde (sim, existe), com cheirinho de conto de fadas, protagonista masculino com jeito de príncipe e momentos engraçados e fofos, estão aí os livros para você. Quanto a mim, qualquer livro/fic/série/filme que tiver essas características acima citadas já me ganhou no Sessão da Tarde. Então, no caso de você ser um pouco como eu, mergulhe e divirta-se.





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