domingo, 29 de janeiro de 2017

JARDIM DE INVERNO de KRISTIN HANNAH





JARDIM DE INVERNO de KRISTIN HANNAH

Resenha por Gláucia Guilhem

Este é o terceiro livro da autora Kristin Hannah que leio e a cada leitura confirma-se a competência, sensibilidade e habilidade para criar histórias envolventes.
A história tem como pano de fundo a 2ª. Guerra, assunto que para mim é fascinante, e tem como protagonistas três mulheres totalmente diferentes, ligadas pelos laços sanguíneos e distantes em um só caminho.
“Ela era uma mulher fria.” (pág.9)
Além delas, um pai amoroso, participativo e amado, que tentava suprir a distância e ausência da mãe presente.
“A mãe não as desprezava. Ela apenas não se importava com elas.” (Pág.29)
As irmãs crescem e tomam rumos diferentes. Uma opta pelo casamento, a outra pelo mundo, viagens, trabalho e talvez esta fosse a maneira de não sentir a falta do amor da mãe.
“A última coisa que queria era dar a alguém o poder de machucá-la.
A autopreservação era a única coisa que aprendera com a mãe.” (Pág.44)
Meredith casou jovem, formou uma família e resolveu cuidar dos negócios do pai, mas não se sentia feliz em Belye Nochi. Está em uma crise no casamento, mas não tem tempo para sentar e conversar.
“Como um alcoólatra que não estende a mão para o 1º. Drinque, um casal podia simplesmente não dizer a sentença que iniciaria a conversa. ” (Pág. 115)
E tudo vai sendo empurrado para baixo do tapete até que com a morte de Evan, o pai e marido zeloso e sustentáculo da família, as promessas de leito de morte evidenciam que algumas coisas terão que mudar e outras tantas vir à tona. E como entrar nessa história se não conheciam a mãe? Não sabiam nada... idade, data de nascimento, desejos, gostos.
“Sua mãe é mais fria que qualquer campo nevado.
Os invernos são duros para ela. Vocês duas têm que tentar mais. (Pág.28-31)
O que tiveram da mãe foram os contos. Contos que ouviam e amavam, pois “ é só nesta hora que ela fala com a gente” (Pàg.9) e através destes contos que o pai estimula as filhas a conhecê-la e entrar na sua misteriosa vida.
Triste vida. “ Vocês vão lamentar ter começado isso tudo.” (Pág. 305)
Kristin Hannah centraliza suas histórias em poucos personagens. As protagonistas são sempre mulheres fortes, com temáticas complexas e em muitos momentos reais. Angústias que também sentimos, dúvidas que nos bloqueiam, perdas que nos atingem em nosso dia a dia.
“Nós mulheres, fazemos escolhas por outros, não por nós mesmas, e, quando somos mães, nós... suportamos o que for preciso por nossas crianças.
Você vai protegê-las. Isso vai doer em você. Isso vai doer nelas. Seu trabalho é esconder que seu coração está se partindo” (Pág.287)
E depois de muitos anos, os contos, novamente os contos, as aproximam e trazem o conhecimento de quem é Anya Witson. “E as palavras importam.” (Pág. 270) e cada palavra e cada declaração da mãe explica muitos momentos das vidas de Meredith e Nina, o que faz com que tudo agora fique claro.
“Nós, soviéticos, somos bons para esconder coisas. “
“Eu tentei não amar vocês duas.” (Pág. 305)
E quando você acha que conheceu tudo e agora está tudo às claras, surge o inesperado, as surpresas que a vida sempre tem na manga e mostram que podemos ser mais fortes do que pensamos.
“Precisei de  todas as forças para não chorar. As lágrimas agora são inúteis em Leningrado” (Pág.342)
E “A perda é uma dor surda no peito, algo que segura a respiração “, inclusive do leitor que segue até a última página com essa respiração suspensa, com vontade de enxergar os olhos claros e sem possibilidade de ver cor de Anya, para entender que toda atitude tem uma história a ser descoberta. Que todo amor sentido pode ser sufocado pela neve do Jardim de Inverno, mas sempre haverá o Jardim de Verão para desabrochar.

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