JARDIM DE
INVERNO de KRISTIN
HANNAH
Resenha por Gláucia Guilhem
Este é o terceiro livro da autora
Kristin Hannah que leio e a cada leitura confirma-se a competência,
sensibilidade e habilidade para criar histórias envolventes.
A história tem como pano de fundo a
2ª. Guerra, assunto que para mim é fascinante, e tem como protagonistas três
mulheres totalmente diferentes, ligadas pelos laços sanguíneos e distantes em
um só caminho.
“Ela era uma mulher fria.” (pág.9)
Além delas, um pai amoroso,
participativo e amado, que tentava suprir a distância e ausência da mãe presente.
“A mãe não as desprezava. Ela apenas não se importava com elas.” (Pág.29)
As irmãs crescem e tomam rumos
diferentes. Uma opta pelo casamento, a outra pelo mundo, viagens, trabalho e
talvez esta fosse a maneira de não sentir a falta do amor da mãe.
“A última coisa que queria era dar a alguém o poder de machucá-la.
A autopreservação era a única coisa que aprendera com a mãe.” (Pág.44)
Meredith casou jovem, formou uma
família e resolveu cuidar dos negócios do pai, mas não se sentia feliz em Belye
Nochi. Está em uma crise no casamento, mas não tem tempo para sentar e
conversar.
“Como um alcoólatra que não estende a mão para o 1º. Drinque, um casal
podia simplesmente não dizer a sentença que iniciaria a conversa. ” (Pág. 115)
E tudo vai sendo empurrado para baixo
do tapete até que com a morte de Evan, o pai e marido zeloso e sustentáculo da família,
as promessas de leito de morte evidenciam que algumas coisas terão que mudar e
outras tantas vir à tona. E como entrar nessa história se não conheciam a mãe?
Não sabiam nada... idade, data de nascimento, desejos, gostos.
“Sua mãe é mais fria que qualquer campo nevado.
Os invernos são duros para ela. Vocês duas têm que tentar mais. (Pág.28-31)
O que tiveram da mãe foram os contos.
Contos que ouviam e amavam, pois “ é só
nesta hora que ela fala com a gente” (Pàg.9) e através destes contos que o pai
estimula as filhas a conhecê-la e entrar na sua misteriosa vida.
Triste vida. “ Vocês vão lamentar ter
começado isso tudo.” (Pág. 305)
Kristin Hannah centraliza suas
histórias em poucos personagens. As protagonistas são sempre mulheres fortes,
com temáticas complexas e em muitos momentos reais. Angústias que também
sentimos, dúvidas que nos bloqueiam, perdas que nos atingem em nosso dia a dia.
“Nós mulheres, fazemos escolhas por outros, não por nós mesmas, e, quando
somos mães, nós... suportamos o que for preciso por nossas crianças.
Você vai protegê-las. Isso vai doer em você. Isso vai doer nelas. Seu
trabalho é esconder que seu coração está se partindo” (Pág.287)
E depois de muitos anos, os contos,
novamente os contos, as aproximam e trazem o conhecimento de quem é Anya
Witson. “E as palavras importam.” (Pág.
270) e cada palavra e cada declaração da mãe explica muitos momentos das vidas
de Meredith e Nina, o que faz com que tudo agora fique claro.
“Nós, soviéticos, somos bons para esconder coisas. “
“Eu tentei não amar vocês duas.” (Pág. 305)
E quando você acha que conheceu tudo
e agora está tudo às claras, surge o inesperado, as surpresas que a vida sempre
tem na manga e mostram que podemos ser mais fortes do que pensamos.
“Precisei de todas as forças para
não chorar. As lágrimas agora são inúteis em Leningrado” (Pág.342)
E “A perda é uma dor surda no peito, algo que segura a respiração “,
inclusive do leitor que segue até a última página com essa respiração suspensa,
com vontade de enxergar os olhos claros e sem possibilidade de ver cor de Anya,
para entender que toda atitude tem uma história a ser descoberta. Que todo amor
sentido pode ser sufocado pela neve do Jardim de Inverno, mas sempre haverá o
Jardim de Verão para desabrochar.

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