quarta-feira, 12 de abril de 2017

AS CORDAS MÁGICAS DE MITCH ALBOM

                                       
Resenha por Gláucia Guilhem




As Cordas Mágicas
Mitch Albom
Editora Arqueiro
350 páginas

Aquele rapaz e seu violão só precisam de alguns minutos para mudar a sua vida” (184)

As Cordas Mágicas é uma história no mínimo intrigante, onde o narrador é a MÚSICA. Esta acompanha cada um de seus eleitos do momento do nascimento ao fim de sua vida nesta dimensão, quando ela (música) está presente para pegar de volta seu Dom e transferi-lo a outro.

“A verdade é que todo mundo entra numa banda nesta vida. Mas só alguns tocam música.” (13)

Muitos dons quase se perdem por inúmeros fatores: guerras, vícios, poder, lugares, caráter; mas são acompanhados de perto pela MÚSICA, que tenta sempre fazer com que se desenvolvam e se espalhem pelo mundo.

“Em cada banda em que entrar, você vai tocar um trecho distinto e ela vai afetá-lo tanto quanto você a ela.” (20)

Francisco Presto nasceu em uma situação nada favorável, num momento nada oportuno e no lugar e hora errados. Nasceu sem mãe, sem pai, sem lar, sem expectativas, apenas com o Dom que lhe foi dado generosamente pela MÚSICA.

“Pode parecer altamente fortuito, mas quando um poder maior tem planos para você, a vida pode ser cheia de quase acidentes.” (86)

Salvo por um cão, que o acompanhará por muito tempo, chega à companhia de Baffa, um solteirão que pouco entende de criança, mas soube reconhecer seu dom e levá-lo até El Maestro, um músico de grande conhecimento, cego, sozinho, sofrido, carente e consumido por seu vício na bebida.

“O homem busca coragem na bebida, mas não é a coragem que ele encontra: é o medo que ele perde.” (101)

“De um jeito ou de outro, a banda se desfaz.”(86)

E Francisco descobre o Amor com Aurora, que quer dizer amanhecer, mas sua vida inteira será de altos e baixos e muitos baixos e baixíssimos.

“Francisco, a vida sempre vai arrastar você para o fundo” (258)

Francisco teve o tudo e o nada. Riqueza e pobreza. Verdades e mentiras. E a única presença constante em todos os seus dias foi a Música e o Amor de/por Aurora, que concorriam e habitavam seu coração.

“Elas (mulheres) são maravilhosas. Mas a música é minha senhora.” (185)

“A verdade é luz. Mentiras são sombras. A música é ambas.” (65)

A música trouxe a Francisco muitos amigos que o reconheciam como um fenômeno e ídolo, mas ele na maioria das vezes fugia destes e se isolava ou se escondia na companhia da música.
No decorrer do livro, estes amigos contam passagens com Frankie, contam quem era e por que estavam ali no seu velório para prestar as últimas homenagens.
E as decepções continuam...

“Não volte atrás a procura das coisas. Deixe quieto. Entendeu?” (274) 

Mas Francisco não entendeu muitas coisas. Não seguiu muitos conselhos recebidos de El Maestro, e com isso os caminhos foram surgindo e sendo seguidos até que chegou o momento de seu Dom ser recolhido. Depois de muito ser trabalhado e absorvido por toda sua difícil e instável vida.
O autor, Mitch Albom, utiliza de uma linguagem fácil, agradável, com algumas palavras técnicas da área musical, mas que não atrapalham o entendimento de leigos.
A história envolve o leitor como a música envolvia e movia Francisco e todos ao seu redor e como tudo tem um porquê, como nada acontece por acaso, o desfecho de cada acontecimento da vida de Francisco é sensacionalmente revelado por alguém inesperado, com uma pitada de fantasia mas que explica tudo.

“Você não pode destocar notas que já foram tocadas. O tempo é como a música: indelével.” (280)

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