Resenha por Gláucia Guilhem
As Cordas Mágicas
Mitch Albom
Mitch Albom
Editora Arqueiro
350 páginas
“Aquele
rapaz e seu violão só precisam de alguns minutos para mudar a sua vida”
(184)
As Cordas Mágicas é uma história no
mínimo intrigante, onde o narrador é a MÚSICA. Esta acompanha cada um de seus
eleitos do momento do nascimento ao fim de sua vida nesta dimensão, quando ela
(música) está presente para pegar de volta seu Dom e transferi-lo a outro.
“A verdade é que todo mundo entra numa banda nesta vida. Mas só alguns
tocam música.” (13)
Muitos dons quase se perdem por
inúmeros fatores: guerras, vícios, poder, lugares, caráter; mas são
acompanhados de perto pela MÚSICA, que tenta sempre fazer com que se
desenvolvam e se espalhem pelo mundo.
“Em cada banda em que entrar, você vai tocar um trecho distinto e ela vai
afetá-lo tanto quanto você a ela.” (20)
Francisco Presto nasceu em uma
situação nada favorável, num momento nada oportuno e no lugar e hora errados.
Nasceu sem mãe, sem pai, sem lar, sem expectativas, apenas com o Dom que lhe
foi dado generosamente pela MÚSICA.
“Pode parecer altamente fortuito, mas quando um poder maior tem planos
para você, a vida pode ser cheia de quase acidentes.” (86)
Salvo por um cão, que o acompanhará
por muito tempo, chega à companhia de Baffa, um solteirão que pouco entende de
criança, mas soube reconhecer seu dom e levá-lo até El Maestro, um músico de
grande conhecimento, cego, sozinho, sofrido, carente e consumido por seu vício
na bebida.
“O homem busca coragem na bebida, mas não é a coragem que ele encontra: é
o medo que ele perde.” (101)
“De um jeito ou de outro, a banda se desfaz.”(86)
E Francisco descobre o Amor com Aurora,
que quer dizer amanhecer, mas sua vida inteira será de altos e baixos e muitos
baixos e baixíssimos.
“Francisco, a vida sempre vai arrastar você para o fundo” (258)
Francisco teve o tudo e o nada. Riqueza
e pobreza. Verdades e mentiras. E a única presença constante em todos os seus
dias foi a Música e o Amor de/por Aurora, que concorriam e habitavam seu coração.
“Elas
(mulheres) são maravilhosas. Mas a
música é minha senhora.” (185)
“A verdade é luz. Mentiras são sombras. A música é ambas.” (65)
A música trouxe a Francisco muitos
amigos que o reconheciam como um fenômeno e ídolo, mas ele na maioria das vezes
fugia destes e se isolava ou se escondia na companhia da música.
No decorrer do livro, estes amigos
contam passagens com Frankie, contam quem era e por que estavam ali no seu
velório para prestar as últimas homenagens.
E as decepções continuam...
“Não volte atrás a procura das coisas. Deixe quieto. Entendeu?” (274)
Mas Francisco não entendeu muitas
coisas. Não seguiu muitos conselhos recebidos de El Maestro, e com isso os
caminhos foram surgindo e sendo seguidos até que chegou o momento de seu Dom
ser recolhido. Depois de muito ser trabalhado e absorvido por toda sua difícil
e instável vida.
O autor, Mitch Albom, utiliza de uma
linguagem fácil, agradável, com algumas palavras técnicas da área musical, mas
que não atrapalham o entendimento de leigos.
A história envolve o leitor como a
música envolvia e movia Francisco e todos ao seu redor e como tudo tem um
porquê, como nada acontece por acaso, o desfecho de cada acontecimento da vida
de Francisco é sensacionalmente revelado por alguém inesperado, com uma pitada
de fantasia mas que explica tudo.
“Você não pode destocar notas que já foram tocadas. O tempo é como a
música: indelével.” (280)
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