segunda-feira, 4 de junho de 2012

Palavras do Roberto 2

Outro do Roberto. Essa linda crônica e sobre o privilégio de viver sob a luz de uma inspiração.


Lembranças
Sentado à beira do sofá, vejo meu pai. De costas, pois já não está mais presente aqui, não neste plano, apenas em minha imaginação. Vejo que ele segura algo, não com suas mãos, com sua alma, não é um objeto, nada que possa ser tocado ou visto, é um sentimento, sentimento de esperança por sua família, pelo futuro de seu filho.
Lembro-me das claras noites que passava estudando isoladamente em meu quarto. Lembro-me de olhar para o mesmo sofá e vê-lo, do mesmo modo que o vejo agora, porém não em minha imaginação. Lembro-me de suas sábias palavras:
– O tempo voa! Como é bom ter essa sua idade, estude e você será quem quiser.
Atravessei a madrugada matutando dentro de mim: quem eu quero ser? Ser o que? Para quem ou por quê? N’outro dia, meu pai, infelizmente partiu. Sentado ao seu lado, velando seu corpo aos prantos, lembrei-me de suas sábias palavras, e então uma luz me iluminou e uma ideia logo brotou, uma ideia que sussurrava em meu ouvido, dizendo claramente quem eu quero ser. Quero ser meu pai.

3 comentários:

  1. Obrigado professora, pela oportunidade!

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  2. Oi, Roberto! Gostei do seu texto! Você já leu um poema do Fernando Pessoa (Álvaro de Campos) que se chama "Aniversário"?

    Um abraço,
    Sandra Pereira

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  3. Oi, Sandra!

    Nunca li este poema, mas minha professora me mostrou ele, muito belo por sinal!

    Fico muito honrado de ter meu simples texto comparado com uma obra de arte, muito obrigado por ter gostado!

    Roberto.

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