Master and Commander (Mestre
dos Mares, no Brasil), acho que é meu filme favorito, é baseado na Série
Aubrey-Maturin, do escritor inglês Patrick O’Brian (1914-2000), também alguns
dos meus romances preferidos. Aproveitando a proposta da Maira para praticar um
pouco meu português e para falar de literatura, uma das minhas paixões,
gostaria de lhes apresentar este interessante mundo criado pelo Patrick
O’Brian. Seguindo a trilha que ela começou com o filme “Histórias Cruzadas”,
romance e filme, vou lhes contar um pouco da série, e ao final, lhes falarei um
pouco do filme.
A série se chama em
português “Aubrey-Maturin” porque eles são os protagonistas dos vinte livros
que compõem a série, mais um inconcluso, porque o autor morreu antes de acabá-lo.
Ela começa no ano de 1800, no porto Mahon, em Minorca, uma ilha espanhola no mediterrâneo
(arquipélago das ilhas Baleares), que nesse momento era controlado pela
Inglaterra. No ano 1800, a
Europa estava em guerra, a gente sempre estava em guerra, e tinha duas
alianças, Napoleão com os aliados dele, e uma entre os inimigos dele. Amigos e
inimigos iam mudando com o decorrer da guerra, durou mais de vinte anos, com
períodos de guerra e de paz, mas a Inglaterra sempre ficou contra ele. Por isso
se chamou de Guerras Napoleônicas a esse período da história. A guerra tinha duas
frentes, a primeira era a guerra em terra firme, onde a superioridade francesa
era evidente até a campanha na Rússia e, finalmente, na batalha de Waterloo. A
outra frente era o mar, a linha que defendia a Inglaterra duma invasão. Muita
da lenda da Royal Navy se criou neste período, e foi uma guerra realmente
mundial, uma batalha naval no Caribe podia mudar o rumo da guerra na Europa.
Além das guerras na Europa, os EUA tinham ganhado a independência há poucos
anos, e ainda era uma cicatriz muito forte no orgulho inglês, e os EUA estavam
começando a crescer como potência marítima. Também bem mais perto tinham outras
ameaças. O mar mediterrâneo estava infestado de piratas dos estados muçulmanos,
e era um perigo constante nas rotas comerciais inglesas. Este resumo, muito
grosso, dá pra compreender um pouco o contexto histórico, muito importante e
enriquecedor, dos romances.
Os dois protagonistas
são o Capitão Jack Aubrey, Lucky Jack (Russel Crowe, no filme), oficial da
marinha que começa como capitão dum pequeno navio de guerra, e o amigo dele, o
Dr Stephen Maturin (Paul Bettany), um personagem muito interessante, meio
espanhol e meio irlandês, médico e agente secreto do serviço da marinha
britânica. Eles se completam muito bem, Jack é um homem da ação, guerreiro e
marinheiro nato, um lobo do mar. O Dr. Maturim, é calmo, inteligente,
observador e científico apaixonado pela natureza e pelos animais, porém ele
pode ser muito mais letal do que o Jack. As histórias são interessantes, tem
uma trama que faz o leitor ficar pendurado do livro por horas, e tem vinte!
O’Brian é muito rigoroso com as descrições da vida no mar, e com os termos
marinheiros. Isso quer dizer, que para as pessoas que não tenham conhecimentos
de termos navais pode ser um pouco chato no começo. Nas edições que eu tenho em
casa, tem desenhos de navios com explicações e um glossário que faz tudo muito
fácil, e uma vez que você pegar os termos, eles já ficam dum jeito natural. Tem
batalhas no mar, perseguições de piratas, invasões no mediterrâneo, nas costas
do Brasil, nas Ilhas Galápagos, no extremo oriente e na África... Até tem histórias
de náufragos. Os personagens percorrem os sete mares e os cinco oceanos.
Eu procurei em lojas
virtuais no Brasil, e vi que é possível comprar os cinco primeiros, traduzidos
para o português, e o décimo, também traduzido, que é o livro usado como base
para fazer o filme. Eu li a série em inglês, mas é possível encontrá-los traduzidos
para o espanhol, e comparei o primeiro deles, que li nas duas edições. Quando
eu tiver a chance, vou ler na versão em português para comparar.
O filme é baseado no
décimo romance, o lado mais distante do mundo. A fragata inglesa HMS Surprise
tem a missão de “afundar, queimar ou cobrar” o navio corsário francês Acheron,
também uma fragata. O começo do filme é trepidante. Tem uma das batalhas navais
mais intensas e realistas já filmadas. Nessa batalha, o capitão Aubrey descobre
que o inimigo dele é bem maior e melhor armado, e a Surprise escapa por pouco.
Nesse ponto, começa uma perseguição que percorre desde o Brasil até o arquipélago
das ilhas Galápagos, no Equador, no outro canto do mundo. O jeito como é
retratada a vida a bordo dos navios da época, os tratamentos médicos, a
disciplina, o dia a dia, as batalhas... Tudo em geral é muito instrutivo, e ao
mesmo tempo, tem uma ação trepidante que consegue que até as pessoas que não
são amantes dos “filmes de piratas” fiquem pendurados.
Tem uma curiosidade
interessante, que dá pra entender a força e a importância das produtoras e dos
mercados. Uma das maiores mudanças entre o livro e o filme, é que no livro, o
navio inimigo era americano, porém, para evitar que os espectadores americanos
tivessem que torcer contra um compatriota, mudou-se a nacionalidade do inimigo.
Mas, no final das contas, era bem lógico para o mercado americano que nas
Guerras Napoleônicas o inimigo cruel fosse francês, não é?

Olá caro Fernando, sou o Lucas Obrigado por escrever esse texto, gostei muito da série estou louco para compra o primeiro livro, e muito bem na minha opinião você escreve bem. Aqui vai meu e-mail pra conversarmos quando eu comprar o livro: lucasrodrigues_pereir@hotmail.com, até mais abraço!
ResponderExcluirLucas Rodrigues...
Puxa!! Fiquei duplamente emocionada com este post!! Primeiro, por ser chamada de "professora muito especial" e, segundo, por ver um aluno (e agora amigo) que começou a aprender português comigo (ele agora já teve outras professoras, mas diz que "a primeira professora de português a gente nunca esquece", rsrsrs) escrevendo tão bem.
ResponderExcluirObrigada a vcs dois!!!
Beijos,
Sandra
Obrigado pelos elogios, e desculpas por não ter respondido antes, mas estava de férias. Sandra, espero que você esteja curtindo muito. Há muito tempo que não vou pro nosso “Rincón Bahiano”.
ResponderExcluirLucas, já peguei seu e-mail. Vou lhe escrever, e podemos falar de navios o que você quiser, eu gosto muito da historia militar, especialmente da naval, e acho que tenho uma base da dados bem legal da matéria. Acho que poderia lhe dar algumas dicas se você estivesse interessado.
Abraços